A entrada dos portugueses no Oceano Índico revolucionou a geo-política dos mares da Ásia. O sistema mercantil, não alterou os seus centros produtores, mas ganhou um novo transportador oceânico e novos compradores europeus, que passaram a estar ligados directamente à Ásia através de Lisboa. A penetração dos portugueses nessas redes de negócios levou ao confronto com os interesses monopolistas dos muçulmanos, que dominavam grande parte dos circuitos e que tinham o exclusivo das relações euro-asiáticas. Apesar dessa oposição, os portugueses encontraram soberanos e redes mercantis interessadas em se aliarem com eles para a guerra e para o comércio. A primeira fortaleza erguida a leste do cabo da Boa Esperança, em Cochim, foi precisamente o resultado da principal aliança que os portugueses forjaram na Ásia, no século XVI.
Com o passar do tempo, o Estado Português da Índia desenvolveu-se, alargando a rede de alianças, impondo protectorados, fundando missões católicas e ocupando nesgas de territórios por conquista ou por cedência de rivais. Ao longo de séculos, os portugueses como que polvilharam as linhas costeiras afro-asiáticas de fortalezas e de igrejas, e também de estruturas urbanas que perduram na actualidade. Nas últimas décadas, a UNESCO reconheceu muitos desses sítios como sendo monumentos de valor excepcional para a memória da humanidade, por via de candidaturas apresentadas pelos países que tutelam essa memória viva.
Neste curso, propõe-se que se deixem guiar numa viagem, que durará quatro semanas, começando na África do Sul e terminando no Japão, em que poderão apreciar esses sítios reconhecidos pela UNESCO, bem como outros monumentos de origem portuguesa e o memorialismo que lhes foi acrescentado na contemporaneidade.
Sessão 1 – De Mossel Bay ao Golfo Pérsico
Sessão 2 – De Diu a Malaca
Sessão 3 – Goa, a Roma do Oriente
Sessão 4 – De Timor ao Japão
Legenda:
1 - Fortaleza de Moçambique
2 - Fortaleza de Bahrain
3 - Centro histórico de Goa, Igreja de Santa Catarina, entrada principal
4 - Centro histórico de Goa, Igreja de Santa Catarina, vista lateral
5 - Centro histórico de Macau.
João Paulo Oliveira e Costa é Historiador e escritor, Professor catedrático da NOVA-FCSH, investigador do CHAM e coordenador da Cátedra UNESCO "O Património Cultural dos Oceanos".