Na vez de «octeto», mais apetece chamar-lhe concerto para oito solistas, tal é o protagonismo das diferentes partes em alternância. O Deutsch 803 de Franz Schubert foi escrito em 1824, em resposta à encomenda de um aristocrata de Viena que tocava clarinete, o que explica que este instrumento sobressaia do conjunto em inúmeras ocasiões. Acontece, porém, que o mesmo se verifica a respeito do fagote, da trompa ou de cada uma das cordas intervenientes. Resulta daqui uma composição que desafia cada um dos intérpretes, sem excepção, e também quem escuta. É quase uma hora de música que passa ao ritmo de uma história que se conta, ou de uma conversa que se tem. É música em estado puro: ora inquieta, ora serena, por vezes exaltante, outras cordata e até mesmo elegante, a discorrer cristalina, cuidada por alguém a quem parece nunca terem faltado ideias.
Solistas Nuno Silva [clarinete], Lurdes Carneiro [fagote], Daniel Canas [trompa], José Pereira, Nuno Rodrigues [violinos], Joana Cipriano [viola], Nuno Abreu [violoncelo], Vladimir Kouznetsov [contrabaixo]
F. Schubert [1797-1828] | Octeto em Fá Maior, D. 803
I. Adagio - Allegro
II. Adagio
III. Scherzo: Allegro vivace
IV. Andante
V. Minuetto: Allegretto
VI. Andante molto
Produção OML
As orquestras clássicas integram na sua composição diferentes famílias de instrumentos que, no conjunto, formam uma identidade musical que as transcende. Só no contexto da música de câmara é possível apreciar com atenção exclusiva a sonoridade própria de cada instrumento.
Por isso, os profissionais da Orquestra Metropolitana de Lisboa dividem-se frequentemente em pequenos agrupamentos ao longo de cada temporada para apresentar recitais que permitem ao público, por um lado, familiarizar-se com detalhes interpretativos que passam normalmente despercebidos e, por outro, usufruir do extraordinário repertório de música de câmara que nos foi legado pelos maiores compositores de sempre.