O silêncio ocupa um espaço primordial nas estruturas antropológicas e ontológicas do ser humano em todas as sociedades e culturas. Praticado e experienciado de um modo introspetivo, meditativo e individual ou de um modo expressivo, performativo e coletivo, como acontece na tradição do Hinduísmo Indonésio, o silêncio assume-se como um ritual de silêncio ecológico e cósmico que atravessa a escala humana, individual, e cósmica, coletiva. Na Indonésia, o silêncio é experienciado como consequência de uma catarse do ruído e do caos cósmico, uma não-ação estabelecida para que a terra e o cosmos se regenerem, se equilibrem e se sincronizem, possibilitando uma harmonia entre os humanos, a harmonia com a natureza e a harmonia com a ordem cósmica e divina, designado no Hinduísmo Balinês como Tri Hita Karana. Estes equilíbrios bioculturais tornam-se expressamente manifestos na observação dos ritmos cíclicos dos rituais e das celebrações marcadas pela prática do silêncio, como o Nyepi, o Ano Novo Balinês, o Tapa Bisu javanês, o Ramadão e a oração (aṣ-Ṣalāh), praticada coletivamente pelos muçulmanos e orientada para uma conexão individual e espiritual com Allāh (الله). A estes ritmos juntam-se ainda as oferendas diárias colocadas às divindades nos altares e as práticas contínuas de meditação ao longo do dia que atravessam a diversidade das estruturas religiosas da Indonésia.
Esta exposição convida os visitantes a experienciarem um silêncio meditativo, pausado e rítmico, numa imersão sobre os equilíbrios bioculturais e cósmicos através dos lugares de intercessão entre os humanos, a natureza e o espiritual e a refletir sobre a importância destes equilíbrios para uma vida plena.
Curadoria
Sofia Campos Lopes [Museu do Oriente]
Rui Oliveira Lopes [Museu das Convergências]
Exposição integrada no ciclo de programação O Museu Convida... [Museu do Oriente] e no projecto Museu das Convergências: Um Museu em Viagem