A exposição Da Matriz à Impressão, no Museu do Oriente, celebra os 25 anos da Associação de Gravura Água-Forte, reunindo obras de 45 gravadores nacionais e estrangeiros, incluindo antigos professores, artistas convidados e membros atuais. A mostra articula o legado pedagógico da Associação com a prática contemporânea, apresentando um vasto panorama de técnicas de gravura — água-forte, água-tinta, ponta seca, buril, maneira negra e xilogravura —, evidenciando a diversidade expressiva e o domínio técnico dos artistas. A participação de criadores de Portugal, Espanha, Países Baixos, Reino Unido, Argentina, Estados Unidos e Japão demonstra o alcance internacional da rede construída pela Água-Forte ao longo de 25 anos.
Ao mesmo tempo, a exposição evoca a origem asiática da gravura, e o seu papel histórico como meio de comunicação, reprodução e democratização do conhecimento. A gravura, com a sua capacidade singular de multiplicação, permitiu a circulação de imagens e mensagens em contextos políticos, religiosos e socioculturais. O surgimento de diversas técnicas de gravura, aliado à permanência de práticas tradicionais como a xilogravura, evidencia o seu papel como meio de diálogo entre épocas, estilos e linguagens artísticas, demonstrando a relevância dos saberes tradicionais no contexto contemporâneo. Ao evidenciar o diálogo entre tradição e inovação, entre a Ásia e o mundo, a exposição sublinha a actualidade da gravura, a sua dimensão pedagógica e o seu valor cultural, reforçando o compromisso da Fundação Oriente com a inclusão, a formação de públicos e o diálogo intercultural.
Curadoria Fátima Ferreira
Fotografia (em baixo) Membros da Associação de Gravura Água-Forte, 2025
Fátima Ferreira, Teresa Pato, Amélia Soares, Margarida Lourenço, Tereza Morgado, Maria Manuel Lyra, Madalena Fonseca, Ana Galvão, Palmira Pires, Yael Blumberger, Aida Carreira, Duarte Esmeriz, Manuel Lopes