Esta oficina explora a joalharia do Bharata Natyam enquanto parte do aharya abhinaya, a dimensão visual da representação cénica descrita no Natya Shastra, o tratado clássico sobre as artes performativas da tradição indiana. No aharya abhinaya, a joalharia, o figurino e a maquilhagem contribuem para a composição do universo simbólico e narrativo da representação cénica.
A oficina é dedicada à joalharia utilizada no traje feminino do Bharata Natyam, parte integrante da sua composição visual em cena. Habitualmente designada como Temple Jewellery, esta joalharia de tradição templária do Sul da Índia apresenta uma forte ligação histórica e simbólica às tradições performativas desta região. Serão abordados os principais elementos usados na cabeça, nas orelhas, no pescoço, nos braços, na cintura e nos tornozelos, explorando a função cénica, simbólica e expressiva de cada peça.
Embora esta dança seja praticada por intérpretes de diferentes géneros, com variações no traje e nos ornamentos, esta oficina centra-se na ornamentação feminina. Este enfoque permite observar de forma mais clara a relação entre a joalharia, o gesto, a expressão facial, o movimento e a presença cénica. Ao longo da oficina, uma intérprete será trajada e adornada com a joalharia tradicional, permitindo aos participantes acompanhar, passo a passo, a construção visual da figura em cena.
Luz no Corpo convida os participantes a olhar para a joalharia para além da sua função ornamental, descobrindo o seu valor histórico, simbólico, ritual e performativo. Ao refletir luz, a joalharia acompanha o movimento, intensifica a presença da intérprete e revela a riqueza visual do mito, do ritual e da dança no Bharata Natyam.
Apoios | Companhia Tarikavalli, Universidade Católica Portuguesa – Instituto de Estudos Asiáticos, Embaixada da Índia, Município de Oeiras, Centro Dança Oeiras, Casa de Goa e JAYA
Foto de Michel Gounot
Tarikavalli, pioneira em Portugal da dança clássica indiana, no estilo Bharata Natyam, esteve na origem da implantação e da divulgação desta arte no país. Herdeira da tradição da Escola de Pandanallur, foi discípula direta dos mestres lendários U.S. Krishna Rao e Chandrabhaga Devi, figuras incontornáveis do renascimento do Bharata Natyam no século XX.
Na continuidade deste percurso, fundou e dirige a Companhia de Dança Tarikavalli, sediada no Centro de Dança de Oeiras (Algés), um grupo artístico dedicado à arte do Bharata Natyam.
A Companhia de Dança Tarikavalli reúne Tarikavalli, Catarina Mallika e Julieta Rousseau, um trio de artistas que partilha um percurso construído ao longo de mais de quinze anos, marcado pela formação, criação e transmissão. Formadas por Tarikavalli desde jovens, Catarina Mallika e Julieta Rousseau são cofundadoras e colaboradoras artísticas da Companhia, partilhando a criação, o desenvolvimento e a continuidade do seu projeto artístico. Em conjunto, preservam e renovam a riqueza da arte do Bharata Natyam através desta transmissão entre gerações.
Paralelamente à sua atividade como intérprete e coreógrafa, Tarikavalli dedica-se à transmissão desta tradição artística através do ensino. Leciona regularmente no Centro de Dança de Oeiras (Algés), no Jaya Aerial Lab (Lisboa), e no centro de dança PMDS (Paris), orientando igualmente workshops, estágios e projetos interculturais em Portugal e noutros países europeus.