O chanoyu, ou cerimónia do chá, é uma das tradições culturais do Japão. Através dos gestos de preparar o matcha e receber o convidado, o anfitrião e o convidado partilham um momento de encontro único — o chamado ichigo ichie.
O consumo do matcha tem origem nos monges zen que trouxeram da China o hábito de beber chá, utilizado inicialmente para afastar o sono durante a meditação. Com o tempo, esta prática refinou-se numa sensibilidade estética própria. No século XVI, Sen no Rikyu deu forma ao wabi-cha, uma via que valoriza a simplicidade e o silêncio acima de utensílios ou formalidades ostensivas. Outrora, as reuniões de chá tinham também um papel relevante entre samurais e no domínio político; hoje, são sobretudo um tempo mais aberto, dedicado ao silêncio e à presença.
Esta oficina é conduzida por um instrutor com raízes num templo zen. Este ano, participou também numa reunião de chá no Reino Unido, levando o chanoyu para além do Japão. O matcha utilizado é trazido de Kyoto e a taça, uma peça especial trazida do Japão — cada utensílio carrega consigo a sua própria história, permitindo viver o chanoyu tal como se vive no Japão.Os participantes irão preparar o seu próprio matcha e experimentar os gestos fundamentais do chanoyu, entrando em contacto com o essencial da estética japonesa: simplicidade, silêncio e o espírito do ichigo ichie. A atenção silenciosa dedicada a cada gesto aproxima-se, também, do que hoje se designa por mindfulness.
Tatsuo Ueno é praticante da escola Omotesenke, uma das mais antigas e prestigiadas linhagens ligadas a Sen no Rikyu. Atualmente, em conjunto com Reina, investigadora em cultura japonesa e cultura corporal e produtora de experiências culturais, desenvolve atividades sediadas em Lisboa, com projeção também no Japão, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. Entre as suas colaborações destacam-se a Embaixada do Japão em Portugal, a Dior, o KABUKI LISBOA, a Universidade de Lisboa e a St. Julian's, entre outras